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A reserva estratégica de petróleo dos EUA guardada em cavernas - e que Trump quer vender

Local 07/08/2017/ 07:26:55
A reserva estratégica de petróleo dos EUA guardada em cavernas - e que Trump quer vender

WASHINGTON - Nas últimas semanas, autoridadesamericanas deram a entender que, como parte das sanções ao governo de NicolásMaduro, estava sendo cogitada a interrupção de importações de petróleo daVenezuela, o terceiro maior exportador de petróleo para os Estados Unidos.

Seria uma reação à convocação, por Maduro, de uma eleição para comporuma Assembleia Constituinte na Venezuela, processo muito criticado porWashington e outros países.

Uma das razões pelas quais os Estados Unidos podem se dar ao luxo dediscutir isso sem que haja risco de "suicídio econômico" estáenterrada em um sistema de cavernas no Estado da Lousiana, no sul do país.

O governo armazena ali cerca de 700milhões de barris de petróleo in natura, suficientepara suprir as necessidades do país por vários meses, um recurso importantecaso haja alguma crise de desabastecimento.

No fim das contas, as importações foram mantidas. Na segunda-feira, umdia após Maduro anunciar sua vitória na votação, o governo americano anuncioumedidas que se limitam a sanções pessoais contra o presidente venezuelano.

"As eleições ilegítimas de ontem confirmam que Maduro é um ditadorque despreza a vontade do povo", afirmou o secretário de Tesouroamericano, Steven Mnuchin.

Esse episódio deixa clara a importância dessa reserva estratégica, quepode ter um papel ainda mais vital caso os Estados Unidos decidam ampliar assanções.

Mas não faz muito tempo que o presidente Donald Trump propôs vender boaparte dela para aliviar os problemas fiscais de seu governo. Por quê?

Embargo árabe

A origem dessa reserva remonta a 1973, quando países árabes impuseram umembargo à exportação de petróleo para o Ocidente como retaliação por seu apoioa Israel. Isso foi um grande golpe para a economia global, do qual os EstadosUnidos não escaparam.

Os preços da gasolina dispararam. Filas enormes se formaram nos postosdo país. E boa parte da infraestrutura industrial americana, baseada napremissa do combustível barato, ficou sob ameaça. Em 1975, os Estados Unidosreagiram criando seu estoque em meio a cavernas rodeadas por formações salinas.

A manutenção desse sistema custa cerca de US$ 200 milhões (R$ 622,5milhões). Em troca, o país costuma sair ileso de episódios que envolveraminterrupções nas importações de petróleo, como a Guerra do Golfo, em 1991.

A reserva também foi acionada em outros momentos, como, por exemplo,após a destruição provocada pelo furacão Katrina, quando a infraestruturaenergética americana foi afetada, e o petróleo em estoque foi usado como medidade compensação.

A reserva tem o equivalente aGetty

Risco latente

Em meio aos frequentes episódios de risco ao abastecimento de petróleoenfrentados por Washington, um dos casos recentes mais notórios de interrupçãodo fornecimento teve como protagonista a Venezuela, lembra Jorge Piñon, diretordo Programa de Energia do Caribe e América Latina da Universidade do Texas, nosEstados Unidos.

"Às vezes, nos esquecemos que,em 2002 e 2003, o fluxo de petróleo in natura venezuelanopara os Estados Unidos foi afetado por uma greve no setor desse país", dizo especialista.

O mercado americano deixou de receber por um tempo cerca de 1,5 milhãode barris que vinham da Venezuela. Hoje, o impacto de uma interrupção seriamenor, garante Piñon, pela redução de importações venezuelanas em anosrecentes.

Os Estados Unidos não são o único país que emprega esse enorme sistemade armazenamento de petróleo.

O Japão tem, por exemplo, cerca de 500 milhões de barris em tanques nosudoeste do país. E outras potências, como a China, estão expandindoinstalações com o mesmo propósito.

Trump quer vender

Ironicamente, em um momento em que a reserva estratégica pode adquirirainda mais relevância por causa da crise venezuelana, Trump vem considerandovender uma parte substancial dela.

Em maio, o governo americano propôs isso para reduzir a dívida pública.Seriam vendidos cerca de 300 milhões de barris, quase metade do estoque, aolongo da próxima década. Isso poderia render ao país US$ 16 bilhões, garanteTrump.

O que ninguém sabe é quanto custaria para os Estados Unidos uma criseexterna que deixasse o país sem petróleo por um período de tempo e na qual nãofosse possível recorrer a essa reserva de emergência.

Por enquanto, a proposta continua em discussão. Enquanto isso, abaixodas formações salinas da Louisiana, um tesouro segue armazenado e permitindoaos americanos respirarem mais tranquilos em sua interação com o conturbadomundo da indústria de petróleo.

(Fonte: BBC) 

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