Local

Era Trump: número de imigrantes ilegais presos na fronteira cai pela metade enquanto número de mortos aumenta

Local 07/08/2017/ 07:53:17
Era Trump: número de imigrantes ilegais presos na fronteira cai pela metade enquanto número de mortos aumenta

WASHINGTON - Desde que o presidente Donald Trump assumiu a Casa Branca, o número de detenções de pessoas entrando ilegalmente nos Estados Unidos caiu 58% nos primeiros cinco meses de seu governo. Por outro lado, o índice de mortes naquela região aumentou 17%.  

Segundo dados da Patrulha da Fronteira, 97.550 imigrantes foram pegos de fevereiro a junho deste ano. No mesmo período de 2016, foram 234 mil. O índice de abril, de 15.775 detenções, foi o mais baixo nos últimos cinco anos. 

Para o governo, o número representa uma queda na quantidade de imigrantes tentando entrar ilegalmente. 

"Há umacorrelação forte entre o período em que o presidente assumiu e uma queda notráfico de pessoas", disse John Mennell, um dos responsáveis pelacomunicação da Patrulha da Fronteira, à Folha de S.Paulo. 

"Àmedida que o presidente e o Departamento de Segurança Doméstica anunciaram e implementaram políticas mais rigorosas, o fluxo geral diminuiu." 

Para Fernando García, diretor da Rede Fronteiriça pelos Direitos Humanos, com sedeem El Paso, no Texas, o medo afasta os imigrantes. 

"Comretórica xenofóbica, Trump tem mandado uma mensagem forte não só para os imigrantes que já estão nos EUA e têm medo de serem deportados, mas também paraos potenciais imigrantes."

Menos deportações

Os números mostram que, pouco antes da eleição edepois que Trump já havia sido eleito - mas antes de sua posse -, o fluxo deimigrantes aumentou, com crescimento de 18% nas detenções em setembro eoutubro. 

Apesar de osetor do Vale do Rio Grande, no Texas, ainda concentrar a maior parte do fluxo hoje (36% das detenções), os dados mostram que, com o governo Trump, imigrantese coiotes estão mais espalhados por toda a fronteira do que no último ano, quando a área chegou a receber mais de 50% do fluxo. 

"Boaparte de trabalhar com a questão da imigração ilegal é controlar as percepções",afirma Ira Mehlman, diretor de mídia da conservadora Federação para a Reforma Imigratória Americana (Fair, na sigla em inglês). 

"Quandoas pessoas acreditam que serão beneficiadas ao chegar aos EUA, elas vêm emgrande número. Quando acham que as leis estão sendo aplicadas, menos gentetenta entrar ilegalmente." 

Apesar da retórica, contudo, as deportações no governo Trump foram menos numerosas que nofim do governo do democrata Barack Obama. De fevereiro a maio, a média dedeportações foi de 16.600 ao mês, e nos quatro últimos meses da gestão democrata, de 21.570. 

Mais riscos

García afirma que a maior militarização da fronteiranos últimos anos e a autoridade dada por Trump para que os agentes sejam maisrígidos tem feito com que os imigrantes se arrisquem mais. 

De acordo com a OrganizaçãoInternacional para as Migrações (OIM), o número de mortos aumentou 17% nos seteprimeiros meses do governo Trump. Os dados do Projeto Imigrantes Desaparecidos(MMP na sigla em inglês) do Centro de Dados Global registrou a morte de 232migrantes, enquanto no mesmo período do ano passado foram registadas 204 óbitos.

Um exemplo é a morte de dez pessoas quesufocaram quando tentavam entrar ilegalmente no Texas com outras dezenas em umcaminhão, em julho, mês que ficou conhecido como omais mortífero com o índice de 50 mortes.

"Na última semana, foram encontrados os corpos de cinco imigrantes no rio Grande, aqui em El Paso. É algo que não víamos há anos", diz. 

Mehlman afirma ver de outra forma a relação entre uma abordagem mais rígida e a maior atuação dos coiotes. 

"Não éa primeira vez que uma tragédia assim ocorre, e, na verdade, uma política mais clara e constante que diga que nós não vamos tolerar a imigração ilegal iria dissuadir as pessoas de colocarem suas vidas nas mãos dessas organizaçõescriminosas." 

SegundoMennell, os traficantes de pessoas agem em resposta às diferentes intensidadesde operação da Patrulha da Fronteira, mas há outros fatores que influenciam,como a temporada da maconha. 

"Enquantoa maconha está crescendo, e as organizações criminosas estão com pouca drogapara distribuir, eles têm que se voltar para o tráfico de pessoas."


(Com Agências) 

Outras Notícias