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O polêmico lançamento da 'Trump TV', com que o presidente dos EUA quer combater a mídia tradicional

Local 09/08/2017/ 07:33:31
O polêmico lançamento da 'Trump TV', com que o presidente dos EUA quer combater a mídia tradicional

WASHINGTON- Nos Estados Unidos, o desemprego está caindo, a bolsa está subindo, aconfiança do consumidor vai de vento em popa e o país dá sinais de estar nocaminho certo. Essas são as "notícias verdadeiras" da semana em umpolêmico informativo criado para a internet pelo presidente Donald Trump.

A ideiado boletim em vídeo, batizado pela imprensa americana de Trump TV é combater amídia tradicional e suas supostas "notícias falsas".

Oprimeiro vídeo foi lançado no final de julho, apresentado pela nora domandatário, Lara Trump, esposa de Eric Trump, executivo das Organizações Trump.

Noprograma, Lara deixava claro o objetivo da iniciativa: "Aposto que vocêsnão ouviram falar de todas as realizações do presidente nesta semana por contade todas as notícias falsas que circulam por aí".

Emseguida, ela fez um resumo de mais de um minuto das "notíciasverdadeiras" dos últimos dias - todas elas sobre feitos do mandatário,principalmente nas áreas econômica e migratória.

Nodomingo, o informativo, denominado Notícias da semana, teve sua segunda edição.Desta vez, apresentado por Kayleigh McEnany, jornalista que até sábado apareciana rede de TV americana CNN, onde mantinha uma postura de aberto apoio a Trumpe à sua presidência.

Atransmissão foi realizada da Trump Tower, em Nova York, e divulgada pela páginapessoal do presidente no Facebook. De cara provocou polêmica na classe políticae nos meios de comunicação do país; muitos consideraram que se trata depropaganda no estilo de governos autoritários.

'É comona Coreia do Norte'

EvanMcMullin, ex-candidato independente à Presidência dos Estados Unidos, queenfrentou Trump e Hillary Clinton em 2016, descreveu o vídeo como "o tipode propaganda que se veria na Coreia do Norte".

Para ojornal americano "Washington Post", a transmissão de domingo pareceumenos um noticiário e mais uma "propaganda real" ou uma"televisão estatal".

Jornalistasda CNN, veículo contra o qual Trump mantém um forte embate verbal desde suacampanha presidencial, compararam o boletim a programas transmitidos pelosgovernos da Coreia do Norte, Rússia e Síria.

Ascríticas vão desde à seleção das notícias - que destacam o trabalho dopresidente, geralmente com dados fora de contexto ou não verificados - aocenário de onde as apresentadoras realizaram a transmissão.

Nosvídeos, um telão ao fundo exibe o logotipo da campanha presidencial de Trump eseu site na internet, enquanto uma mensagem na parte inferior da tela convidaespectadores a se inscrever em futuras atualizações e a segui-lo nas redessociais.

Centenasde seguidores da página do presidente no Facebook celebraram a iniciativa, porconsiderar que ela representa uma alternativa aos veículos que fazem frequentescríticas ao republicano.

"Étriste, mas necessário ter que transmitir os feitos do presidente destamaneira. Os veículos deveriam fazer melhor seu trabalho de contar as notíciasnacionais. Mas é como é. Acorda, Estados Unidos. Temos um presidente que dácerto", escreveu um dos seguidores.

Trump ea mídia

Desdesua chegada ao poder, Trump tem elevado o tom das críticas à maior parte dosmeios de comunicação americanos, acusando-os de "caça às bruxas" e dedifundir "notícias falsas" sobre seu governo.

Elecostuma destacar as notícias da rede de televisão Fox News, favorável à suagestão, e de Breitbart News, um site de extrema-direita que foi dirigido, nopassado, por Stephen Bannon, estrategista da Casa Branca.

E temcriticado especialmente a rede CNN, a ponto de publicar no Twitter em julho umamontagem de vídeo em que ele próprio aparece golpeando um indivíduo, no qual,em vez de seu rosto, o que se vê é um logo da rede americana de TV.

Jornaiscomo Washington Post ou New York Times são frequentemente criticados no Twitterpelo governante, principalmente quando questionam seu trabalho na Casa Brancaou denunciam a suposta relação de membros de sua campanha presidencial com aRússia.


(Foto:BBC) 

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