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Partidos da base cobram espaço e se recusam a votar reforma da Previdência

Brasil 10/08/2017/ 07:39:03
Partidos da base cobram espaço e se recusam a votar reforma da Previdência

BRASÍLIA (Reuters)- Uma semana depois de derrubar a abertura de um processo contra o presidenteMichel Temer, o Palácio do Planalto enfrenta uma rebelião na base aliada,liderada pelo chamado centrão, com a cobrança de cargos e o aviso de que"não há clima" para votar a reforma da Previdência.

Odiscurso dos líderes é que não há como votar a reforma, um tema complicado eindigesto para os eleitores em um final de mandato --mesmo faltando mais de umano para as eleições.

Portrás dessa rebelião, no entanto, está a fatura dos votos entregues paraenterrar a denúncia contra o presidente na Câmara dos Deputados. Juntos, ospartidos do centrão --PP, PR e PSD-- têm 122 votos. Deram 87 dos 263 votosfavoráveis a Temer na votação da denúncia, tendo papel fundamental na vitóriado presidente.

Agora,os partidos querem o que lhe foi prometido: mais espaço no governo. Umdirigente de um dos partidos ouvido pela Reuters confirma que o própriopresidente se comprometeu, e não com cargos em segundo e terceiro escalão, mascom uma mini reforma eleitoral, em que partidos que não foram tão fiéis, como oPSDB e o PSB, permitiriam espaços para o centrão.

"Ogoverno ainda está muito indeciso em relação a ceder espaços para ospartidos", criticou o dirigente, que disse ainda esperar que o governocontemple partidos que têm dado verdadeira sustentação a Temer, pelo menos commudanças no segundo escalão.

Líderdo PP, o deputado Artur Lira (AL), diz que não há unidade na bancada para votara reforma da Previdência e que o governo precisa fazer uma reorganização esaber "quem realmente é base e quem não é".

"Sedepender da gente, agora, não vota", disse o deputado à Reuters. "Aquestão está diretamente relacionada às eleições. Se você não esclarece aPrevidência para a população, se o governo não se comunica, não decide quem ébase e quem não é base, fica difícil."

Jáo líder do PR, José Rocha, afirma que o partido está satisfeito com seu espaçono governo, mas reafirma que não há condições de votar a Previdência. "Nãose vota uma reforma desse porte no fim de mandato. Não tem clima", disse oparlamentar.

Odiscurso, apesar de verdadeiro --parlamentares de outras bancadas não rebeldesconfirmam que a cobrança do eleitor tem sido dura contra a reforma-- tem comobase, avaliam interlocutores do governo, a disputa por espaço.

"Édisputa por espaço político, não é uma discussão sobre a Previdência. O centrãonão votou pelo Temer por convicção, votou em troca de recompensa", disseum parlamentar da base. "Mas o governo só teve 263 votos. Não acho queesse seja o momento de retaliar. Para garantir 60 votospode perder 50."

Vice-líderdo governo, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), fez uma planilha para mostrar aTemer o percentual de votos de cada partido na votação da denúncia e o espaçoproporcional que cada um tem no governo. "Vou levar esse levantamento parao presidente e o governo vai estudar", disse. "O pessoal quer maisespaço, mas tem que ter calma. Não pode ficar demitindo assim, vamosresolver".

No Planalto, omomento é de cautela. Temer começou a chamar os insatisfeitos para conversar,mas o governo não tem planos de fazer grandes mudanças imediatas, disse umafonte palaciana. Alguns nomes ligados a deputados traidores foram exoneradosnos últimos dias, mas sem novas nomeações. 


(Fonte: Reuters) 

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